Avançado Austrália

Tasmânia

O que restou das florestas de kelp gigante, e peixes que andam com as nadadeiras

Interior de um remanescente de floresta de kelp gigante com luz filtrada em verde
Resta uma fração mínima do que cobria essas costas décadas atrás.

Até poucas décadas atrás, essas costas eram cobertas por florestas de kelp gigante com dosséis que chegavam à superfície. Hoje resta uma fração mínima. E nos fundos de areia vive um peixe que, em vez de nadar, caminha com as nadadeiras, e está prestes a desaparecer.

Nesta ficha você vai descobrir o que eram as florestas de kelp gigante da Tasmânia e por que desapareceram quase por completo, o que são os peixes-mão e por que sua situação é tão crítica, como é o mergulho temperado do sul australiano, o frio que faz e a formação que exige.

É o destino desta enciclopédia onde a mudança do oceano é mais visível e mais medida: não se trata de uma previsão, mas de um ecossistema em grande parte já perdido, e de espécies contadas indivíduo por indivíduo.

Geografia e acesso

A Tasmânia é uma ilha ao sul do continente australiano, em águas temperadas frias, com uma costa leste de baías e penínsulas de dolerito e uma costa sul aberta ao oceano Antártico.

Suas águas eram dominadas por florestas de kelp gigante, uma alga que forma dosséis flutuantes na superfície e estrutura tridimensional na coluna d'água, comparável em complexidade a uma floresta terrestre.

O aquecimento da corrente que desce pela costa leste deslocou para o sul as condições de que esse kelp precisa, e as florestas desapareceram em mais de noventa por cento de sua extensão histórica. Restam retalhos, alguns em zonas de restauração experimental.

Com a água quente também chegaram ouriços-do-mar do continente que pastam o kelp e criam fundos nus, um processo documentado e difícil de reverter.

Nos fundos de areia e sedimento de alguns estuários vive um grupo de peixes bentônicos que se deslocam apoiando-se nas nadadeiras, com populações minúsculas e muito localizadas.

O acesso é por voo doméstico até a ilha e transferências por estrada. Boa parte do mergulho é feita a partir da costa ou com saídas curtas de barco.

Sequência da perda das florestas de kelp gigante em poucas décadas

Explicação da imagem

Tasmânia: Austrália. Geografia e acessoA Tasmânia fica ao sul da Austrália continental, da qual é separada pelo Estreito de Bass. É um destino de mergulho de classe mundial, alcançado de avião ou de balsa a partir da Austrália continental.Ilha Tasman, TasmâniaAustrália · Estreito de Bass · Corrente Leste Australiana · Antes · Depois · Antigamente. (kelp extenso) · Hoje. (resta apenas uma pequena fração)Oceanos saudáveis sustentam lugares extraordináriosExplore | Compreenda | Ajude a protegerA natureza submarina da Tasmânia merece ser salva

  1. Vastas florestas de kelp no passadoHá apenas algumas décadas, extensas florestas de kelp (kelp-gigante, Macrocystis pyrifera) cobriam grande parte da costa leste da Tasmânia.As florestas de kelp prósperas ofereciam habitat para uma vida marinha diversa.
  2. Oceano mais quente, mais ao sulO aquecimento do oceano e um alcance mais forte e mais voltado para o sul da Corrente Leste Australiana são a principal causa do declínio.Temperaturas do mar mais altas permitiram que espécies de águas quentes chegassem à Tasmânia, incluindo ouriços-do-mar de espinhos longos vindos do continente.
  3. Os ouriços-do-mar chegam e devoram o kelpOs ouriços-do-mar de espinhos longos (Centrostephanus rodgersii) se expandiram do continente para as águas da Tasmânia. Em grande número, eles devoram o kelp até deixar a rocha nua.
  4. Uma grande perda: que já aconteceuLevantamentos mostram que resta apenas uma pequena fração das antigas florestas de kelp na costa leste da Tasmânia. É uma perda documentada, não uma previsão futura.
Não é uma previsão: é uma perda que já ocorreu e foi medida.

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