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A luz debaixo d'água: por que o vermelho desaparece e tudo parece mais perto
Absorção, refração e dispersão, ou por que o mar parece azul e sua mão parece maior
A vinte metros, o sangue de um corte parece verde escuro. O peixe vermelho vivo da foto que você tirou com flash era, a olho nu, um peixe cinza opaco. Não é a sua vista: é que o vermelho, simplesmente, já não estava mais ali.
Neste artigo você vai entender os três fenômenos que governam a luz debaixo d'água (absorção, refração e dispersão), por que as cores se perdem com a profundidade e por que tudo parece maior e mais perto.
Explica como você realmente vê debaixo d'água: por que você precisa de uma lanterna em pleno dia, por que as distâncias enganam e por que a fotografia subaquática exige o que exige.
Absorção: as cores se perdem em ordem
A luz solar branca é uma mistura de todos os comprimentos de onda visíveis. A água não os absorve igualmente: retém alguns por mais tempo que outros, e faz isso em uma ordem bastante previsível.
O vermelho é o primeiro a desaparecer, nos primeiros metros. Seguem o laranja e o amarelo. O verde resiste bem mais, e o azul é o que penetra mais fundo. Por isso a água parece azul: não porque ela seja azul, mas porque é a cor que sobrevive.
Essa perda não depende só da profundidade: depende da distância total percorrida pela luz na água. Um objeto a cinco metros de profundidade mas a dez metros de distância horizontal já perdeu boa parte do vermelho, porque a luz teve que atravessar quinze metros de água para chegar até ele e voltar até o seu olho.
Esse detalhe explica algo importante para a fotografia: se aproximar de um sujeito recupera cor de forma muito mais eficaz do que aumentar a potência da luz.
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